quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Graph Search: o que a ferramenta pode mudar na maior rede social do mundo?



GRAPH SEARCH
A Graph Search, nova ferramenta de busca apresentada pelo Facebook nesta terça-feira (16), promete tornar os resultados de suas pesquisas feitas na rede social mais relevantes e precisos. Mas a mudança pode ir ainda mais longe: além de trazer resultados baseados em suas preferências, sempre levando em conta suas curtidas, amizades e conexões, a ferramenta poderá trazer mais renda, roubar espaço de outros buscadores e mudar sua relação com a privacidade na rede social.

Em uma entrevista à revista Wired, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, afirmou que a ferramenta é uma volta às origens do Facebook, que nasceu como um lugar para encontrar pessoas e explorar sua comunidade. Com seu avanço na direção de uma ferramental profissional e para empresas nos últimos anos, a rede pode ter perdido um pouco desse "brilho" social, que tenta agora retornar através da Graph Search.

“Ela não é como um buscador convencional”, explica Almir Meira, professor de  Redes de Computadores da FIAP. Para o professor, a principal inovação da ferramenta é trazer o aspecto social para a busca, o que tornará os resultados mais relevantes para o internauta. “Ela é uma ferramenta muito mais [focada em] filtros e estatísticas dentro do próprio Facebook, o que agrega valor na questão da qualidade da busca que você faz". O "Graph" no nome da ferramenta é justamente uma referência às conexões que ele faz para trazer os resultados desejados. De certa forma, um "gráfico" de suas amizades.

A nova busca não deve, entretanto, ameaçar ferramentas como o Google ou Bing, que ainda se mantêm como os maiores indexadores da internet. Mas isso não significa que as gigantes devem deixar a ferramenta para lá. É preciso ficar de olho para não perder espaço em alguns tipos de buscas, afinal, dois ex-engenheiros do Google estiveram envolvidos no desenho do serviço: Lars Rasmussen, ligado ao extinto Google Wave e ao bem-sucedido Google Maps, e Tom Stocky, ex-gerente de produtos da gigante. Os dos ex-Googlers ficaram próximos de Mark Zuckerberg, e reuniam-se com o CEO do Facebook toda sexta-feira para atualizá-lo sobre o desenvolvimento da ferramenta.

Com seu aspecto social, onde, por exemplo, procurar por restaurantes mostra o resultado mais curtido entre amigos, a Graph Search pode engolir uma fatia de usuários que buscam resultados personalizados. O Facebook também pula na frente dos concorrentes ao lançar a inovação em primeiro lugar: qualquer serviço semelhante terá impacto menor, limitando alternativas do Google ou Microsoft.

O Google já teve sua tentativa de lançar um serviço semelhante dois anos antes do Facebook, em 2011, quando adicionou o botão "+1" em sua rede social, o Google Plus. A ferramenta permite que lugares, estabelecimentos e lojas que tivessem um número grande de "+1" dado por seus contatos apareçam indexadas em uma posição melhor na pesquisa do Google. O plano parecia bom, mas dependia da base de dados minúscula da rede social do Google, em comparação com o Facebook. Hoje, o Google Plus possui pouco mais de 235 milhões de usuários, um quarto da base do Facebook. Muitos desses, aliás, nem estão ativos.

"Mas no quesito macro [de buscas gerais], o Google deve continuar sendo líder. Ainda não se desenvolveu um mecanismo de busca com a mesma eficiência", avalia o professor.

Além de facilitar a vida do usuário durante as buscas, a ferramenta promete capitalizar o banco do dados do Facebook - seu produto mais valioso, que conta com informações de mais de 1 bilhão de usuários. Até agora, o Facebook tinha como principal fonte de renda os anúncios e aplicativos pagos dentro da plataforma, como jogos.

Com a Graph Search, as empresas podem entrar em uma disputa mais acirrada pelo espaço na rede social, trazendo rendimento maior para o Facebook. "Provavelmente o Facebook vai dar mais espaço para quem pagar mais. Agora ele tem uma ferramenta que pode trazer um alto valor agregado", afirma Almir. Na disputa pelas curtidas que garantirão mais destaque nos resultados, o usuário também pode ser beneficiado. "Se eu quiser que a minha empresa tenha um bom resultado nesse tipo de busca, eu vou ter que atender bem o meu cliente que seja usuário do Facebook”, diz Almir.

Quanto à privacidade de suas informações, o professor acredita que não há motivos de preocupação para os usuários. De acordo com o Facebook, todos os limites de segurança ainda serão impostos pelo próprio usuário, o que não deve mudar as configurações de privacidade (veja algumas dicas de segurança e privacidade no Facebook aqui). O professor sugere, entretanto, que usuários evitem se expor na rede devido ao maior potencial de busca da ferramenta. “De repente, até em um processo seletivo para contratação de um funcionário por parte de uma empresa, esse tipo de busca pode ser considerada”, sugere.

Mas se a nova ferramenta foi um acerto ou não, Meira considera cedo para avaliar. O impacto da ferramenta sobre outros buscadores e sua popularidade com usuários ainda deve ser sentido nos próximos meses, já que a Graph Search ainda está em sua versão Beta e não chegou a todos membros da rede social. Se você quiser experimentar o serviço, que ainda não está disponível no Brasil, já é possível entrar na fila de espera através da página www.facebook.com/graphsearch.


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