Todos os dias os pais são bombardeados com diversas notícias de que videogames podem tornar as crianças mais agressivas, antissociais, ou até mesmo chegar ao cúmulo de fazê-las entrar em uma escola primária e atirar para todos os lados, como fez Adam Lanza.
Mas até onde tudo isso é verdade? Muitos profissionais também afirmam categoricamente que não existe ligação comprovada entre atitudes violentas e o hábito de jogar. Winda Benedetti, repórter - e mãe preocupada - da NBC News, entrevistou dois psiquiatras para entender melhor a respeito da saúde mental dos jovens e a relação com os videogames.
O Dr. Matthew Chow é diretor clínico de telepsiquiatria de um hospital infantil, e o Dr. Tyler Black é diretor clínico da unidade de emergência psiquiátrica do mesmo hospital, que fica em Vancouver, no Canadá. Os dois têm trabalhado com crianças e adolescentes que lidam com uma série de questões, incluindo distúrbios psiquiátricos, de violência e vício. Além disso, os dois psiquiatras também jogam videogames nas horas vagas.
Durante a conversa, eles foram questionados a respeito da associação que tem sido feita entre os jogos e tiroteios em massa que aconteceram recentemente, principalmente nos Estados Unidos. Dr. Black disse que "é muito mais fácil apontar um videogame e dizer: 'Esse é o problema', do que olhar para nossa própria sociedade, nossas leis, nossos próprios pontos de vista sobre a saúde mental, e os nossos próprios sistemas na promoção de uma sociedade saudável".
Dr. Chow ressaltou que já viu comportamento violento em pessoas que jogam videogames, da mesma maneira que também já viu o mesmo tipo de atitude partindo de pessoas que não o fazem. Ele ainda faz questão de dizer que "dito isso, é cada vez mais difícil encontrar pessoas que nunca jogaram pelo menos um videogame".
Eles ainda alegam que as pesquisas que apontam uma forte ligação entre comportamentos violentos e games podem ser bem tendenciosas. "Muitos artigos são publicados com a intenção de tornar seus 'resultados' em manchete, como evidência de uma ligação entre as crianças, violência e videogames", explica Dr. Black.
Para finalizar, Dr. Chow explica que não existe uma regra para o assunto, que os pais devem sempre ponderar e manter uma conversa aberta com seus filhos, principalmente para saber se eles ainda estão se divertindo enquanto jogam determinado game. Afinal, esse é o propósito. Uma outra boa opção seria que os pais jogassem junto com seus filhos. Além de entender melhor como eles se comportam perante o jogo, isso pode ser bom para o relacionamento entre eles.
"As pessoas gostam de rotular as coisas como boas ou más com a intenção de tornar o mundo mais simples. Infelizmente, a maioria das coisas não são tão preto e branco. Por exemplo, temos ouvido muitas notícias sobre tempestades e inundações nas últimas semanas. Você pode se sentir tentado a concluir que "água" é uma coisa muito ruim. Ela destruiu as casas e os comércios das pessoas. Ela ainda matou algumas pessoas. Felizmente, nós não estamos ouvindo comerciais para proibir água, porque as pessoas sabem que seria ridículo. Com os videogames é igual. Eles não são nem bons nem maus. Eles podem ser ambos", diz o Dr. Chow.
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